Número de telefone é dado pessoal LGPD? Guia do titular
Guia em linguagem simples para o titular: o que a LGPD diz sobre o seu telefone, quais são seus direitos, como pedir à empresa e o que fazer em caso de vazamento.
Por Redação Eleven Host · @robson.direitodigital · Atualizado em 18 de outubro de 2026 · 7 min de leitura

Por que o telefone é dado pessoal pela LGPD e o que o titular pode pedir à empresa. Arte: Eleven Host
Número de telefone é dado pessoal LGPD? Quando ele pertence a uma pessoa, sim: a Lei 13.709/2018 trata como dado pessoal toda informação relacionada a uma pessoa identificada ou identificável. Este guia mostra o que a empresa precisa para usar o seu número e o que você pode pedir.
A dúvida é bem prática: "a loja pode ficar com o meu celular?". O número aparece em cadastro de farmácia, aplicativo de entrega, sorteio e balcão de loja. Entender a lógica da lei ajuda a decidir quando informar o número, quando recusar e como cobrar quem já está com ele.
Por que o telefone é dado pessoal
O art. 5º, inciso I, da LGPD define dado pessoal como informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável. O trecho que mais pesa é "identificável": o dado não precisa trazer o seu nome. Basta que, sozinho ou junto de outras informações, leve até você.
O celular se encaixa nessa definição porque está ligado a uma pessoa: aparece em cadastros, em contas de aplicativos e em bases de clientes ao lado de nome ou e-mail. Quando alguém reúne o número com esses outros dados, a identificação fica fácil.
Entenda
Dado pessoal não é só documento. Nome, e-mail, endereço e telefone entram na definição quando se relacionam a uma pessoa natural, isto é, a uma pessoa de verdade, e não a uma empresa.
O que a empresa precisa para usar o seu número
A lei não proíbe a empresa de ter o seu telefone. Ela exige que o uso se apoie em uma hipótese legal, listada no art. 7º. Há outras hipóteses, mas estas quatro ajudam a entender o caso do telefone, em linguagem simples:
- Consentimento: você autorizou, por exemplo marcando a opção de receber ofertas.
- Contrato: o número é necessário para cumprir o que você contratou, como avisar sobre uma entrega ou enviar o código da sua conta.
- Obrigação legal: a empresa precisa guardar o dado porque uma norma manda.
- Legítimo interesse: uma justificativa da empresa que não pode atropelar os seus direitos nem fugir do que você razoavelmente esperaria.
Se a empresa não consegue apontar uma base legal do art. 7º para o uso que faz do seu número, vale perguntar. Essa pergunta é o primeiro passo de qualquer pedido de esclarecimento.
Finalidade e necessidade: o teste do bom senso
O art. 6º traz princípios que valem para todo uso de dados. Dois ajudam muito aqui. Finalidade quer dizer que o número deve ser usado para um propósito informado a você. Necessidade quer dizer que a empresa deve pedir só o que precisa para esse propósito.
Imagine a Paula, que recebe SMS de uma loja onde não comprou. Ela passou o telefone uma vez, para um sorteio num evento. O propósito informado foi avisar o resultado. As mensagens de promoção que chegam depois podem fugir dessa finalidade, a menos que ela tenha concordado com elas. Paula tem motivo para perguntar de onde veio o número, qual é a base legal e pedir que o uso pare.
Quem pede o seu número deve dizer para que vai usá-lo, e o uso deve ficar dentro do que foi dito.
Seus direitos como titular (art. 18)
O art. 18 dá ao titular direitos que podem ser exercidos diante da empresa que trata os seus dados. Os que mais interessam a quem se preocupa com o telefone são:
- Confirmação de que a empresa trata dados seus.
- Acesso aos dados que ela mantém.
- Correção de dado incompleto, inexato ou desatualizado.
- Eliminação dos dados tratados com base no seu consentimento.
- Informação sobre com quem a empresa compartilhou os seus dados.
- Revogação do consentimento que você deu antes.
Esses direitos têm limites e exceções previstos na lei. Mesmo assim, o pedido é seu e a empresa tem o dever de tratá-lo.
Como fazer o pedido
- Procure a política de privacidade do site ou do aplicativo da empresa. Procure nela o canal para assuntos de dados e o contato do encarregado, também chamado de DPO.
- Escreva por esse canal. Diga quem você é, qual número está em questão e qual direito quer exercer, por exemplo acesso ou eliminação.
- Guarde o protocolo, o e-mail enviado e prints das mensagens indesejadas.
- Se a empresa não responder ou negar sem explicar, você pode apresentar reclamação à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Responda só pelos canais oficiais da empresa. Se a mensagem que você recebeu parece golpe, não responda por ela: veja Golpe por SMS: como identificar e o que fazer.
Para cadastros de pouco risco, vale usar um número separado do seu celular pessoal. Conhecer o 11SMS
Se o seu número vazou
O art. 48 prevê que a empresa comunique à ANPD e ao titular quando o incidente de segurança puder acarretar risco ou dano relevante. Se você receber esse aviso, ou descobrir por conta própria que o telefone foi exposto, vale agir:
- Desconfie de contato que cita dados seus para pedir código, Pix ou senha.
- Use verificação em duas etapas por aplicativo autenticador nas contas importantes, em vez de depender só do SMS.
- Confira no canal oficial da empresa se o aviso é verdadeiro, sem clicar em link recebido por mensagem.
- Peça à empresa informações sobre o incidente e sobre o que ela fez a respeito.
Se chegar um código de verificação que você não pediu, veja Recebi código de verificação sem pedir: o que fazer. Se uma conta ficou presa a um número que você não tem mais, veja Número que não tenho mais: como voltar às suas contas. E, se o problema for o incômodo de mensagens indesejadas, o passo a passo está em Como bloquear SMS spam no Android e no iPhone.
Como reduzir a exposição do número
A proteção mais simples é o número circular menos:
- Deixe o campo de telefone em branco quando ele for opcional.
- Pergunte para que o número será usado antes de informá-lo em balcão de loja.
- Recuse o uso para marketing quando houver essa opção.
- Peça a eliminação de cadastros que você não usa mais, sobretudo os feitos com consentimento.
- Em cadastro de pouco risco, use um número separado do seu celular pessoal.
Esse último ponto é onde entra o 11SMS, da Eleven Host. Ele fica na área do cliente, pede login e oferece números temporários para receber SMS de verificação. O pagamento sai somente do saldo pré-pago que você recarrega em Adicionar fundos, a partir de R$ 0,49 por número, conforme o serviço e o país. Confira na área do 11SMS se há número para o serviço e o país que você precisa.
Há um limite claro: número temporário serve para cadastro de pouco risco. Para banco, governo, operadora, e-mail principal ou qualquer conta que você precise manter, use o seu número próprio e definitivo. Cada plataforma tem regras próprias, que devem ser respeitadas.
Um cadastro de teste a menos com o seu celular pessoal. Peça um número no 11SMS. Pedir um número no 11SMS
Perguntas frequentes
Uma empresa pode me ligar sem eu ter dado o número?
Depende da origem do número e da base legal da empresa. Você pode perguntar de onde veio o dado, qual hipótese do art. 7º ela usa e pedir que o contato pare quando não houver base. Se o uso dependia de consentimento, você pode revogá-lo.
Como peço para apagar meu número?
Pelo canal de privacidade da empresa, indicando o número e pedindo a eliminação. Quando o uso se apoiava no seu consentimento, o art. 18 prevê a eliminação, com as exceções da lei. Se não houver resposta, a reclamação pode ir à ANPD.
Vazou meu número, o que faço?
Proteja primeiro as contas importantes com verificação em duas etapas por aplicativo e desconfie de quem cita seus dados para pedir código ou dinheiro. Depois, pergunte à empresa o que aconteceu. A comunicação do incidente cabe a ela, conforme o art. 48.
Número de empresa (CNPJ) também é dado pessoal?
O telefone fixo ou geral de uma empresa não identifica uma pessoa e, por isso, em princípio não se enquadra. O celular de um funcionário identifica essa pessoa e pode ser dado pessoal, mesmo quando é usado para o trabalho.