Ataque hacker em lojas online copia cartão e CPF

  • 28/10/2026
  • 19:14

Um script alterado copiou dados de cartão e CPF no checkout de lojas brasileiras desde 24/10. Veja quem descobriu, a suspeita sobre a entrada e o que comprador e lojista podem fazer.

Por Redação Eleven Host · @robson.direitodigital · 28 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Arte da Eleven Host: janela de terminal com o título: Ataque hacker em lojas online copia cartão e CPF

Capa da Redação Eleven Host para a notícia: Ataque hacker em lojas online copia cartão e CPF Arte: Eleven Host

Um ataque hacker em lojas online brasileiras copiou número de cartão, validade, código de segurança, nome do titular e CPF digitados na página de pagamento. A descoberta é da empresa de segurança Sansec, que publicou o relatório em 26/10/2026, e foi noticiada em 27/10 pelo Olhar Digital.

O alvo foi a Convertr, plataforma brasileira de comércio eletrônico que roda as lojas e a página de pagamento (o checkout) de dezenas de marcas de moda. Segundo o relatório da Sansec, a última cópia limpa do script atacado foi vista em 24/10/2026, às 05h03 (horário UTC). A empresa detectou o código malicioso no mesmo dia, às 23h22 (UTC), e a Convertr informou a remoção em 27/10, às 12h54 (UTC).

Segundo o Olhar Digital, o número exato de lojas afetadas não foi informado.

Quem pagou com cartão numa loja brasileira desde 24 de outubro e viu "checkout.convertr" no endereço da página de pagamento deve falar com o banco, segundo as fontes.

Como o código chegou a várias lojas de uma vez

Em vez de invadir loja por loja, os criminosos alteraram um único arquivo: o script de estatísticas de acesso da plataforma, que usa o Plausible, uma ferramenta de código aberto de análise de tráfego. Como as páginas de pagamento carregavam esse arquivo, o código chegou aos compradores das lojas da plataforma.

O código é um "skimmer": um programa que captura os dados digitados na hora do pagamento. Segundo a Sansec, ele só agia nas páginas de checkout da Convertr e enviava o que capturava para um endereço controlado pelos criminosos.

A Sansec acompanha o mesmo grupo desde julho de 2024 e o chama de grupo brasileiro do tipo "Magecart", nome dado a quem rouba cartão em páginas de pagamento. Segundo a Sansec, é o primeiro ataque do grupo a um fornecedor comum, a chamada cadeia de fornecimento, que ela observou. Antes, ele atacava lojas uma a uma, quase todas no Brasil, em plataformas como Magento, OpenCart e WooCommerce.

A porta de entrada ainda é suspeita

As duas fontes apontam uma suspeita sobre a entrada. A Convertr instalou o Plausible Community Edition 3.0 em 2025 e não atualizou. A falha CVE-2026-8467 afetava as versões 3.0.0 a 3.2.0 e permitia executar comandos no servidor sem login, por um endereço chamado "/storybook". A correção saiu em maio de 2026, na versão 3.2.1.

A Sansec não confirmou que foi essa a entrada. A empresa diz que não viu os registros do servidor da Convertr e, por isso, não pode afirmar que aquela foi a porta de entrada. A Convertr removeu o código, atualizou o Plausible e está avisando lojistas, empresas de pagamento e autoridades. A Sansec confirmou o arquivo limpo em 27/10, às 13h08 (UTC).

Comprei com cartão em loja online desde 24/10: o que fazer

As fontes dão uma orientação direta a quem pagou com cartão numa loja brasileira desde 24 de outubro e viu "checkout.convertr" no endereço da página de pagamento:

  • peça ao banco o bloqueio e a troca do cartão;
  • acompanhe possíveis fraudes com o seu CPF.

O navegador pode guardar uma cópia do arquivo infectado por até 24 horas depois da correção. Por isso, quem comprou logo após a limpeza ainda pode ter sido exposto, segundo as duas fontes.

Em resumo para quem comprou

  • O período citado começa em 24/10/2026.
  • O sinal é "checkout.convertr" no endereço da página de pagamento.
  • A orientação é falar com o banco e acompanhar o CPF.

Se você tem loja virtual

As recomendações das fontes dependem do seu caso:

  • Lojista que usa a Convertr: peça à plataforma a confirmação de que o arquivo foi corrigido e avise a empresa de pagamentos.
  • Quem administra o próprio Plausible: atualize para a versão 3.2.1 ou posterior e procure acessos a "/storybook" nos registros (logs) de acesso. Se achar, a Sansec manda reconstruir o servidor, trocar as senhas e as chaves e comparar os arquivos do script com os da versão oficial.

Uma lição vale para quem tem site ou loja, e ela é nossa, não das fontes: os componentes de terceiros que a página de pagamento carrega, como estatística, chat e pixels, também precisam de atualização. Neste caso, uma ferramenta esquecida sem atualização é suspeita de ter sido a porta de entrada. Se o seu site tem WordPress, veja o guia WordPress hackeado: o que fazer, passo a passo. Se você mantém um servidor próprio, o guia Atualizar Ubuntu Server: guia seguro para a sua VPS mostra como manter o sistema em dia.

Para quem está montando o próprio negócio online

Quem está montando uma loja ou um site pode precisar de um endereço e de um servidor. As opções abaixo são um ponto de partida.

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Perguntas frequentes

Quais dados foram copiados no ataque hacker em lojas online?

Número do cartão, validade, código de segurança (CVV), nome do titular e CPF do comprador, segundo o Olhar Digital e a Sansec.

Como sei se comprei numa loja afetada?

O sinal citado é o endereço da página de pagamento com "checkout.convertr", em compra feita desde 24 de outubro.

A falha do Plausible foi a causa do ataque?

É uma suspeita. A Sansec diz que não viu os registros do servidor da Convertr e não pode confirmar que aquela foi a porta de entrada.

O ataque já foi corrigido?

A Convertr informou que removeu o código e atualizou o Plausible, e a Sansec confirmou o arquivo limpo em 27/10.